Etiqueta | Uma forma de saber quem é quem

Texto | Taís Antunes Pinto – Consultora de Imagem e Estilo

“Quase todas as sociedades do mundo têm regras de etiqueta, regras de comportamento social, regras a mesa e outras. A nossa etiqueta tem origem na corte francesa do rei Luiz XIV, originalmente no palácio de Versailles  (vale assistir a série Versailles, disponível na Netflix).  A intenção inicial era distinguir a nobreza dos demais.

A etiqueta nada mais é do que “quem é quem” uma maneira de distinguir as pessoas. No século XIX a burguesia passou a imitar a etiqueta da corte, fazendo cursos, já que os nobres não faziam cursos de etiquetas, porque nasciam imersos nela.Etiqueta é geográfica e histórica, depende do tempo e do lugar.

Quando se vive em sociedade existem regras e leis de convívio: leis de trânsito, regras de horários, vestimentas – são alguns exemplos, para que haja uma organização social e o bem estar das pessoas. Etiqueta é a ética do dia a dia.

A etiqueta esta diretamente relacionada à educação e a elegância, é o simples fato de fazer-se notar pelo simples fato de estar presente.

O príncipe de Gales Alberto Eduardo (1.900) filho da rainha Vitória, ao ser questionado sobre ser o homem mais elegante da Europa, disse: “ Se notaram, é porque deixei de ser elegante”.A etiqueta assim como o comportamento humano vão mudando ao longo do tempo, por exemplo, no livro “Na sala com Danuza” da jornalista Danuza Leão, ela ensina aonde colocar o cigarro durante um jantar. Para os dias de hoje parece algo inacreditável, mas era muito comum fumar em jantares, reuniões e até mesmo dentro de aviões.Quando somos jovens temos a ideia de que etiqueta é garfo, faca e taça de água ou vinho. Hoje percebemos que etiqueta é respeito ao outro e, principalmente não constranger o convidado. Constranger o outro é a atitude mais deselegante que alguém pode ter, essa é a regra fundamental de todo manual de etiqueta.Comportar-se a mesa é fundamental, não falar com a boca cheia, não usar o celular na mesa, não colocar comida no prato do outro – sem que o outro peça, não ser espaçoso…

Garfo e faca é detalhe de “novo rico”, é gente que viu um tutorial de mesa posta de origem duvidosa e quer impressionar alguém. Nada mais “deselegante” do que constranger o convidado me colocando numa posição de superioridade.  Já estive em jantares extremamente constrangedor, onde os convidados estavam visivelmente incomodados, servindo-se de fios de ovos pensando ser macarrão, algo totalmente constrangedor e desrespeitoso. Oferecer um jantar cheio de talheres e taças para convidados de origem simples é cafona e desrespeitoso.

No filme “A Bela e a Fera” – o personagem da Fera está comendo como “fera” e a Bela o imita, para não constrangê-lo, isso é sinônimo de educação. Uma pessoa que sabe que independente do garfo ser de peixe ou salada, a regra de ouro é deixar o outro à vontade, ser respeitoso, gentil, jamais usar a etiqueta como instrumento de poder é coisa de “gentalha” que nunca entendeu nada de etiqueta. A etiqueta começa pela forma como você trata o garçom e os funcionários da casa, é reconhecer o valor do outro, mesmo quando estou numa posição de cliente “a ser servido”.Surgiu uma nova profissão o “garçom de paus” o garçom fica esperando o cliente terminar a conversa, responder a mensagem para anotar o pedido, como se o restaurante fosse exclusivo daquela pessoa. Se você não é um médico que esta de plantão, a prioridade é de quem esta a sua frente, quem esta te ligando pode esperar.

Quando você estiver na companhia de alguém e essa pessoa  não larga o celular, saiba que a sua companhia é desinteressante para essa pessoa.Etiqueta não é frescura, etiqueta é humanidade e reconhecer o valor do outro.

Entender que o meu conforto não pode se sobrepor ao conforto do outro, por exemplo: Quando você ouve um áudio numa mesa de jantar com outras pessoas, o que te faz acreditar que as outras pessoas estão interessadas em ouvir essa conversa? A compreensão dos limites da sua existência em relação ao bem estar do outro.

Atualmente o celular é o maior vilão das regras de etiqueta, ele faz com que as pessoas a nossa volta sejam menos interessantes do que o “seja lá o que quer que eu esteja vendo” em algum aplicativo. Eu acho incrível quem fala ao celular enquanto dirige o que será que tem de tão importante para o motorista conversar que faz com que ele coloque em risco a sua própria vida, ou pior, a vida dos seus filhos ou de outras pessoas que estejam no veiculo. Hoje os livros de etiqueta trazem muito a questão do celular.

O Brasil passou por uma reforma trabalhista em 2017 que trouxe mudanças significativas para o comportamento corporativo, principalmente no que diz respeito ao uso celular no ambiente de trabalho. Celular em reuniões, comportamento nas redes sociais, perfil profissional, horário das mensagens, linguagem utilizada, e-mail, formas de comunicação e comportamento profissional, tudo isso faz parte da etiqueta comportamental  e facilita a comunicação dentro das empresas. Mesmo em home-office você precisa manter uma imagem e uma postura, você esta em “modo trabalho” sua imagem deve estar de acordo com o produto ou serviço que você oferece. O ambiente ao fundo deve estar organizado e iluminado, isso também é etiqueta, é a sua imagem profissional que está em jogo – o principio de respeito ao outro deve ser rigorosamente mantido mesmo no universo online. Os cargos com hierarquia superior, devem ter etiqueta, a educação e o bom senso de entender que não se liga para funcionário fora do horário de expediente, não se manda mensagem as 22h00 ou aos finais de semana. Isso é desrespeitoso e caracteriza hora extra. As regras de etiqueta servem para os dois lados.

Em tempos de pandemia, surgiu uma nova etiqueta, não podemos chegar cumprimentando ou abraçando as pessoas. Usar máscara e manter o distanciamento não é só respeitar a sua vida, mas respeitar a vida do outro.

A etiqueta é a maneira que podemos mostrar ao mundo quem somos como fomos criados e educados. É honrar o nosso nome e a nossa imagem, independente de posição social, a cordialidade e o respeito deixam a sua imagem melhor, abrem portas e fazem você ser visto e ser aceito de uma forma amigável e respeitosa. A primeira regra de etiqueta é sair do egoísmo.

Fontes |  O manual dos pecados digitais – Thais Herédia e Luciana Caran | Etiqueta não tira férias – Fabio Arruda | Etiqueta sem frescura – Claudia Matarazzo.

 

Bacharel em Gestão de Finanças, Pós Graduada em Gestão de Marketing, Unipar. Formada em Fotografia, Consultoria de Imagem, Estilo e Negócios de Moda. Idealizadora do Projeto Mulheres Extraordinárias. Telefone (46) 9-9983-2042.

 

 

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