Palavresca

Parem de falar mal da rotina

26 de setembro de 2020

Fotografia | Leila Lindiana

“Parem de falar mal da rotina / parem com esta sina anunciada de que tudo vai mal porque se repete.”

“Parece, mas não se repete / não pode repetir / é impossível /

o ser é outro / o dia é outro / a hora é outra / e ninguém é tão exato.”

Elisa Lucinda

Rotinas podem ser reinventadas, rotinas podem ser quebradas, rotinas podem ser curtidas, rotinas são sempre escolhidas. Já pensou nisso? Eu gosto de rotina, sou uma pessoa de rotina e não vejo problema algum com isso. O rei Roberto Carlos e Chico Buarque já romantizaram a rotina, em suas canções.

A nossa rotina só é chata se a gente não tem inspiração. Elisa Lucinda, escritora – sabe instigar à pensar: “Nunca ouvi ninguém falar mal de determinadas rotinas: chuva, dia azul, crepúsculo, primavera, lua cheia, céu estrelado, barulho do mar”. Segundo Elisa, algumas repetições são sublimes “São nossos óbvios de estimação”.

Uma coisa é certa. Ninguém nos impõe nada, nossa rotina é leve ou pesada de acordo a capacidade de conduzir a própria vida e ver graça nela, seja na repetição e, ao mesmo tempo no seu ineditismo.

Por exemplo, amo ficar em casa, amo estar na minha casa. Não vejo isso como um problema, a rotina que me imponho estando nela é prazerosa. Simples assim!

Na rotina da vida. Todo dia gente morre e gente nasce. Todo dia flor morre e flor nasce. Todo dia o vento sopra. E todo dia tudo é poesia. Pense nisso! Viva isso!

A autora da foto da capa, Leila Lindiana falou uma frase simples para resumir essa reflexão: A rotina é fundamental ! “È vero”, encontre beleza no simples, no trivial; a sua vida e a minha serão muito mais leve.

Dica para Leitura |

Parem de falar mal da rotina, de Elisa Lucinda, Lua de Papel, 200 páginas, publicado em 2010, é a versão da peça teatral de mesmo nome. Elisa Lucinda recebeu, em 2002, um convite de Amir Hadad, que dirigia o Teatro Carlos Gomes, pensando num texto para uma plateia de horário alternativo. A referência para tal, veio do óbvio, a rotina, porém, o óbvio transformado em arte.

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