“Tu destruíste o meu sentimento por ti, a forma bonita como te via.
Tu mataste a minha vontade de fazer parte da tua história, de acompanhar todos os teus passos, de aplaudir cada vitória tua, de te amparar nas quedas, de te socorrer nos piores momentos, de te impedir de tropeçar e cair.
Arrasaste tudo sem um pingo de remorso.
Todos os dias, durante muito tempo, tu foste arrasando tudo. Chorei muito, discuti muito, auto sabotei-me a partir do momento em que acreditei que, de alguma forma, as minhas atitudes e palavras te iam mudar de alguma forma. As tuas escolhas e atitudes fizeram com que as nossas histórias se desencontrassem. Hoje somos dois estranhos, cruzamo-nos na rua e não sabemos mais quem somos. Eu não sei mais quem tu és, em que tipo de pessoa te tornaste. Estás diferente. Muito diferente da pessoa que eu achei que tu eras, daquela que durante muito tempo fantasiei que tu fosses. A ilusão que construímos sobre as pessoas e as histórias que nos ligam a elas são corrosivas, vai-nos sugando a energia à medida que o tempo avança.
Hoje já não te vejo com ilusão. Vejo-te como és. Egoísta. Instável. Insensível à dor e à mágoa que provocas nos outros. Por trás do ar inofensivo, existe uma pessoa capaz de cometer falhas constantes com quem não as merece. Ah, e nas tuas veias também corre uma boa dose de ingratidão. Reagiste sempre com ingratidão a tudo o que fiz, dei e dediquei a ti.
Agora, depois de ter sentido tudo o que senti, a frase “quem vê cara não vê coração” parece esfregar-se na minha cara. A realidade custa sempre, por isso fugimos dela tantas vezes.
Eu sempre a vi. Mas quis fechar-lhe os olhos, acreditar que tudo poderia ser diferente, que a verdade que te dedicava todos os dias seria suficiente para promover em ti uma mudança.
Mas é sempre assim.
A fantasia só dura o tempo que a realidade o permite.
Hoje vivo dentro da realidade. Ainda me custa, o meu peito ainda balança, a tristeza ainda bate à minha porta e eu ainda a deixo entrar. Permito-me viver a dor para me curar.
Sei que o estrago que fizeste será, para sempre, uma lição de vida que jamais me esquecerei.
Tu foste a minha última grande lição de vida.”
Autor Fábio Teixeira