Palavresca

Cais de Porto

21 de novembro de 2020

Fotografia | Leila Lindiana

Há algum tempo queria compartilhar algum escrito do Allan Dias Castro, ele que tem uma poesia falada encantadora. Sinceramente, sempre me emociono diante dos seus vídeos. Vou dividir um texto – Cais de Porto – sobre a sorte de nos identificarmos verdadeiramente com algumas pessoas em nossas vidas. Depois de ler, pensa aí, com carinho: quem é seu cais de porto?

“As pessoas que menos tentam mudar quem a gente é, em geral, são as mais seguras de quem elas são.

Mesmo quando a gente se sente perdido,

À deriva mesmo, indo com a maré,

E quer agradar todo mundo para tentar uma aproximação

E se afasta tanto da gente mesmo que já nem da pé,

Surgem pessoas na nossa vida que são como um cais.

Elas não tentam impor uma direção,

Não exigem uma explicação

De onde você veio ou para onde vai.

Simplesmente te aceitam e estendem a mão

Para você finalmente voltar a respirar.

Aí fica claro: se identificar com alguém de verdade

Significa respeitar sua identidade.

Quando a gente encontra na vida um cais de porto,

O encontro mais parece um reencontro.

Não tem muita explicação,

Por mais que a pessoa seja diferente,

A gente sente essa identificação.

Não importa o tamanho do problema que carrega,

Todo mundo tem algo em comum.

Basta ter a grandeza de respeitar o momento de cada um.

Aí é como se até as diferenças se encaixassem de forma natural.

É uma sensibilidade de se ver no outro e ser o outro,

Não necessariamente sendo igual.

É só a gente lembrar que a vida é maré:

Respeito vai, respeito vem.

Porque todo mundo traz em si suas tempestades,

Mas também a possibilidade dos dias mais lindos.

Assim, quem um dia foi o cais

No outro vai ser bem-vindo”.

Allan Dias Castro | Livro Voz ao Verbo | Cais de porto, página 54. Autor de “Zé-Ninguém” e idealizador do programa Dando As Letras, Castro também colabora com artistas diversos da nossa MPB. Mas é o seu projeto “Voz ao verbo” que nos abastece todo sábado, na plataforma de vídeos, com o mais belo e transmutador da poesia autoral e falada.

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