Porta Retrato

Júlia Rathier

13 de novembro de 2017

A partir desse mês o Blog tem uma nova colunista! Sim, com muito orgulho apresento a Júlia Rathier. Sempre fui encantada por ela, primeiro ela é filha da querida Daniela, mãe encantadora só poderia ter uma filha idem. A Júlia é daquelas jovens que chamam atenção, dona de um estilo próprio, inteligente, papo muito agradável e uma maturidade surpreendente para sua idade. Beltronense, como o Blog, ela faz muito sucesso com seus textos e publicações e aceitou o meu convite para enriquecer esse espaço com muito conteúdo. Seu material sempre será publicado as segundas-feiras, da terceira semana do mês e eu confesso que já estou ansiosa por isso! Seja bem vinda Júlia, esse espaço também é seu!

Pedi para ela se apresentar! A seguir um pouco da Júlia, magnificamente descrito.

Palavresca

“Meu nome é Júlia Helena Rathier. Sim, Júlia Helena. A combinação que na adolescência me rendeu uma revoltinha, mas que na adultez eu descobri que não era a mais mal sucedida do mundo, e que nem era digna de ser parte de uma crise existencial. Sou filha de uma brazuca linda, e um meio-alemão-meio-italiano-meio-francês (esse sim é brasileiro, de tão misturado) danado de capricorniano. Irmã de um pequeno mocinho de quinze anos, que eu me engasgo pra falar que tem 1,81cm e uma  inteligência do tamanho do mundo. E segunda filha de uma escorpiana encantadora.

Escorpiana típica, vaidosa, insistente e (muito) fiel aos próprios quereres, também me sobra tempo, e menos espaço do que eu gostaria, pra ser uma lover do team gatos. Mamãe-emprestada de uma branquela felina, da qual a delicadeza e a personalidade quase exigiam que recebesse um nome de granfina. A então chamada, Antonieta.    

Tenho 23 anos, escrevo desde que me descobri apanhadora dos próprios enigmas- e claro, isso também rendeu algumas crises- sendo elas a forma original de ressignificar que  a gente sabe que não passa incólume de frustrações pela vida- . Acredito que a vida humana seja nada menos do que uma caixa de ressonâncias afetivas, e por conseguinte, escrever não significa afunila-la em palavras mas sim expandi-la. 

Sou estudante de Psicologia, incorrigivelmente apaixonada pela Psicanálise. Me considero também, cinéfila.

Ser neoescritora das próprias paixões tem me colocado a cada dia que passa em um contato mais direto com o que eu, através do estudo da Psicologia, mais especificamente da Psicanálise, descreveria como um acordo tácito do qual tentamos nos poupar de falar: o inconsciente. Escrever é terapêutico sim. E é catártico também. E tempestádico. Tão particular que me inclinei até ao último neologismo para caracterizá-lo.

 É o formar frases e não só frases. Simbolos à revelia, que nos condenam por nossas não-ditas inflamadas palavras. Escrever, falar e existir concede a nós a propriedade de uma mesma natureza: Perguntar-se, sobre aquilo que a gente não sabe que já sabe. É dessa maneira que me encantei pelo estudo do inconsciente.

  Coração, cor/ação. Ser de linguagem é ser de si e do mundo, e eu nunca- ainda bem- quero deixar de acreditar.     

 É escuta. É aposta. Cuidado com as referências! Auscultação. Sim, se tem uma metáfora que eu vejo pra escrita,  é a possibilidade de compará-la ao método de auscultação.  Os ruídos internos de uma necessidade comunicam algo, e você sabe que sim. Não chamemos atenção para a técnica arcaica, mas sim à quê esse processo leva. Qual a dor que comunica? A escrita é subjetiva. A dor e nós, também somos.

Testemunhamos a cada momento de escrita e de fala que somos instantes, palavras, desejo, apelo.

Me vejo capaz de escrever sobre literatura, filmes, música, Psicologia, sociedade e tudo mais aquilo que me agitar, me relembrando que não posso viver de forma mecânica. E ainda bem, que viver me angustia, me inquieta e me questiona. Em resumo- e só em resumo, por que caberia uma infinidade de coisas mais- me agita. E então, eu escrevo. Ainda bem.”

Júlia Helena Rathier. 

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