Palavresca

Perdoar

12 de dezembro de 2020

Fotografia | Leila Lindiana

Perdoar não é fácil, mas é o caminho mais eficaz para a convivência humana saudável e feliz.

Nosso viver e conviver sobrevivem graças ao perdão que é uma atitude de amor incondicional, de compreensão, de misericórdia e de alta sabedoria.

Quem não perdoa é um perdedor.

Perde de dois a zero porque frustra o relacionamento humano e carrega dentro de si o lixo da mágoa e amargura.

Quem perdoa, alcança o zero a zero, ou seja, restabelece a comunhão e expulsa o veneno do ressentimento.

Terá saúde física, psicológica, social e espiritual.

O perdão é remédio, cura, excelente terapia.

Quem não perdoa, não esquece o mal e sofre a doença da “compulsão de repetição”; vive sempre lembrando, repetindo, desabafando a dor interna.

Por não perdoar, irá sempre culpar alguém e vingar-se.

Isso tudo aumenta o sofrimento e o desgaste físico.

Perdoar é tirar a raiz da amargura.

Perdoar é compreender, desistir de julgar e de culpar os outros.

Isso é possível quando reconhecemos que somos barro.

Ninguém é infalível.

Quando aceitamos o nosso barro e os dos outros, conseguimos dar um novo significado ao fato que nos magoou, temos nova compreensão, novo olhar, novo sentimento sobre fatos e pessoas.

O perdão muda a realidade porque é encontro com a verdade.

Perdoar é reatar o relacionamento rompido, é colocar-se nas mãos do outro, abdicar do julgamento pessoal.

É um gesto de gratuidade no qual fazemos o dom de nós mesmos.

Sem o perdão somos pesados, doentes, depressivos, agressivos, desumanos.

Perdoar é reumanizar-se.

A falta de perdão torna falsa e estéril a oração.

O rancor, a mágoa, o ressentimento impedem a ação da graça.

O sentimento negativo é uma energia venenosa que se transforma em doença, insônia, agressividade, imoralidade, alcoolismo, barulho, farra, etc.

Muitos problemas da vida têm sua raiz na falta de perdão.

A mágoa, o ressentimento, a amargura são energias e sentimentos destrutivos.

Assim, quem não perdoa odeia a caridade e vive no azedume e crítica, fere o coração, morre aos poucos, sente-se perdido.

Só resta o vazio, a solidão e a algazarra para abafar o mal estar interior.

As consequências negativas da falta de perdão são tão perigosas e destruidoras que a Bíblia aconselha a perdoar antes do pôr-do-sol. Não ir dormir com raiva: “Não se ponha o Sol sobre vossa ira” (Ef .4,26). Igualmente Jesus manda a perdoar setenta vezes sete, isto é, sempre, imediatamente e de todo o coração.

O perdão é tão benéfico que deve ser dado incondicionalmente, totalmente, incansavelmente. Na oração do Pai Nosso, o perdão está ao lado do pão nosso de cada dia.

O perdão também é pão da vida, porque é o amor sem medida, amor de mãe, amor misericordioso.

É o perdão que possibilita a fraternidade e a boa qualidade do relacionamento humano”.

Autor: Pe. João Bachmann | Pároco da Paróquia Catedral São Paulo Apóstolo.

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