Francisco Beltrão

Carrinho de Rolimã

15 de novembro de 2019

Fotografia | Leila Lindiana

O carrinho de rolimã, foi um brinquedo criado pelos adolescentes, sem diferenças sociais, todos brincavam com os carrinhos feitos pelas próprias mãos. Não se sabe ao certo a história desse brinquedo, usado pelas crianças da década de 70 e 80, da região sudeste do Brasil. Os primeiros exemplares foram construídos em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

O principal material, as rodas, eram rolamentos doados em oficinas de manutenção de automóveis, estas por sua vez, davam manutenção aos carros daquela época: Chevrolets Belair, Fordões 50 51, Pontiac, Mercurie, Dogdes e os sofisticados Oldsmobiles, todos carros importados.Os adultos de hoje contam que para conseguir os rolimãs, sem pagar nada, era necessário por vezes executar pequenos serviços nas oficinas mecânicas, na maioria das vezes de limpeza para obter o prêmio.

Para sua montagem do carrinho, era necessário: serrote, martelo, alguns pregos, porcas, parafusos, tábuas (daquelas usada em construção) e rolimã. Algumas marteladas e farpas nos dedos, estava pronto o carrinho. Alguns com o diferencial do freio de mão, que nada mais era do que um“pedaço de madeira” fixado na lateral do carrinho, com um prego na ponta para frear.A construção de um carrinho é artesanal, ele pode conter três ou quatro rolimãs ou rolamentos, constituído de um corpo de madeira com um eixo móvel na frente, utilizado para controlar o carrinho enquanto este desce pela rua. Alguns colocam um volante fixado no eixo. O freio deve ser um pouco maior que a distância do carrinho até o chão, deve ficar em posição diagonal, e para diminuir a velocidade deve puxar-se o pedaço de madeira para uma posição em que encoste no chão. Ahhh…não pode faltar o corte do bico, em forma de “V” para caracterizar a frente do carro.O bacana é que o carrinho de rolimã era brinquedo dos meninos com menos condições financeiras que não podiam comprar uma bicicleta, que era cara naquela década. Assim ele tornou-se o pai, hoje avô dos brinquedos radicais no Brasil. Outro fato importante, é que como os carrinhos de rolimã eram levados para as ladeiras asfaltadas, eles se popularizaram com a urbanização das cidades. O que importava para a turma de amigos da época era vencer as disputas ladeira abaixo. Nesse período saudosista, era muito comum meninos e meninas brincarem juntos sempre ou na maioria das vezes. Era uma delícia, e a meta era escolher uma boa ladeira e deixar a gravidade te levar.

Nossa cidade realizou no mês de Outubro, a primeira edição do Beltrão Rolimã. 80% do público participante tinha mais de 30 anos e, com certeza reviveram momentos saudosistas. Houve disputa nas categorias: original e alegoria. O prolongamento da Avenida Júlio Assis Cavalheiro se transformou em uma grande festa, até com participações femininas e caracterizações inusitadas, um show de criatividade.Percebi a motivação de alguns pais que lá estavam, que para o próximo ano irão construir  junto com seus filhos um carrinho de rolimã e participar da “brincadeira”. Afinal, muito mais do que o prêmio, o gostinho da saudades é o que impera.

Fica aqui uma provocação depois dessa competição com carrinhos de rolimã, quem não tem saudades de jogar bete ou taco, caçador, bolinha de gude, finca ou empinar pipa ? Fotografia | Leila Lindiana Schoeder | @leilalindiana

Comentar via facebook

Comentário(s)

VOCÊ PODE GOSTAR TAMBÉM